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Mostrando postagens de agosto, 2019

O valor de questionar, discernir e ampliar

O ardente debate a respeito das queimadas e demais formas de desmatamento da floresta amazônica, nestas últimas semanas, mais do que a preocupação com o destino do mais vasto bioma brasileiro – bem como com a qualidade de vida no planeta, decorrente, entre outras causas, desses lamentáveis acontecimentos –, tem me propiciado reflexões sobre o pouco valor que se tem dado a três práticas fundamentais para qualquer discussão que se pretenda saudável, consistente e eficaz: questionar, discernir e ampliar. Os debatedores mais contundentes se dividem, em sua maioria, em dois grupos bem definidos: os que criticam o atual governo brasileiro e o apontam como o grande responsável pelo volume impressionante de queimadas este ano; e aqueles que, em sintonia com o presidente Jair Bolsonaro, têm indicado organizações não governamentais (ONGs) como atuantes nos eventos de destruição da floresta, e também criticado países estrangeiros e personalidades famosas que se manifestaram contra a devastaç...

Sem horizontes

Moro a duas quadras de uma estação de metrô inaugurada há pouco menos de dois anos, na zona sul de São Paulo. Esperei ansiosamente por sua abertura, acompanhando anos e anos de obras – dela e das demais estações da linha –, buscando notícias sobre seu andamento e sonhando com o momento em que passaria a me sentir integrado a essa grande cidade como nunca estivera antes. Com muito gosto, fui à inauguração dela e, no ano seguinte (o passado), à daquelas que finalmente ligaram a linha às outras da rede metroviária. Reconheço que até agora usei o novo metrô muito menos do que imaginava – mas, inegavelmente, tem quebrado um galhão quando necessário. Um efeito colateral, porém, tem me incomodado profundamente. Tinha noção de que a nova linha e suas respectivas estações transformariam os bairros por onde passam, mas não a ponto de seriamente arriscar – mais do que transformá-los – transtorná-los. E me refiro especificamente à descaracterização e caotização (mais do que já há) da cidade p...