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Mostrando postagens de dezembro, 2020

Crônicas fora de hora – IV: “Um novo ano de boas surpresas”

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Quanto do que planejamos ou almejamos para 2020 se realizou? Talvez muito pouco, até porque não contávamos com a grande surpresa do ano: a pandemia. Ainda assim, se fizermos um esforço para nos lembrarmos dos anos anteriores, é bem possível que, mesmo sem algo tão impactante a nos modificar a rotina, percebamos que igualmente não tivemos todos os nossos desejos e objetivos satisfeitos. De uns tempos para cá, por recomendação de uma amiga, mais esotérica do que eu, todo final de ano tenho escrito uma carta, para mim mesmo, a ser aberta doze meses depois, com uma espécie de lista de desejos, porém escrevendo, em agradecimento a Deus, como se tudo já tivesse sido realizado. Na primeira, que eu me lembre, inseri muitas metas específicas, do tipo ‘aprender a montar aplicativos’ ou ‘voltar a estudar italiano’ – resultado: muita coisa deixei de concretizar. No ano seguinte, priorizei objetivos mais genéricos e/ou de manutenção do que já vinha ocorrendo, como ‘estar com a saúde em dia’ – o índ...

Teremos, afinal, uma Revolução de 2020?

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  No conto “Verde-esmeralda” (de minha autoria, a ser publicado no ano que vem, pela série Ecos de 2020 ), seu protagonista, Paulo, viaja no tempo – mais precisamente pouco mais de doze anos rumo ao futuro – e se depara com um livro que teria sido por ele mesmo escrito, intitulado Revolução de 2020: o renascimento após a tragédia , em cuja introdução se lê:   Os primeiros meses de 2020 foram sacudidos por um fato inusitado, e sobretudo estrondoso; algo que não acontecia havia um século, mas nunca ocorrera em um contexto de tamanha conexão entre os países e as pessoas. A pandemia de covid-19, causada pelo vírus Sars-CoV-2, então chamado de novo coronavírus, iniciada na China ao final do ano anterior, se espalhou de tal modo que parou o mundo, instaurando quarentenas de confinamentos parciais ou totais em centenas de países. E muito pior: matando milhões de pessoas ao redor do globo, não poupando pobres nem ricos, mas selecionando suas vítimas de modo desleal, traiçoeiro, co...

Crônicas fora de hora – III: “Um Natal de novos significados”

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A memória nos trai, ou no mínimo reconstrói os fatos sob o olhar daquilo que nos marcou, ou do que passamos a ser ao longo do tempo, ou do que somos hoje. Confesso que não tenho lembranças claras de muitos Natais, mas sem dúvida um dos que melhor guardo na memória aconteceu no início dos anos 80, eu ainda uma tenra criança. Era comum, àquela época, após cruzarmos a meia-noite em casa de parentes, regressarmos ao lar ansiosos – eu e meus irmãos, embora não me recorde se Leandro, o mais novo, já era nascido – para abrirmos os presentes deixados por Papai Noel junto à nossa árvore de Natal. Naquele ano, eu pedira ao bom velhinho brinquedos um tanto semelhantes aos atuais ‘transformers’, claro, com as limitações da época – enfim, algo do tipo caminhão que vira helicóptero, avião que vira barco; se não me engano dois. Chegando em casa, pacotes abertos, entre eles não estavam os presentes desejados. O que ganhei foi uma coleção de bichinhos de plástico na cor laranja, representando animais t...

Crônicas fora de hora – II: “O falso dilema da vacina”

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Você é contra o fumo ou, mais especificamente, contra o cigarro? É bem possível que sim – e acredito que mesmo grande parte dos fumantes concordaria que o ideal seria não fumar. Mas, mesmo contra o fumo, você se posicionaria contra o direito de fumar? Talvez não, ou seja, por mais que lamente o fato de alguém (sobretudo um ente querido) fumar, ainda assim não necessariamente o proibiria – mesmo se pudesse – de praticar esse ato, por mais maléfico que seja. Um raciocínio similar pode até ser aplicado a um tema ainda mais delicado: o aborto. É possível ao mesmo tempo ser contra o aborto e favorável à sua legalização, até porque, verdade seja dita, ele é feito a mancheias em clínicas clandestinas, muitas delas em péssimas condições sanitárias, com profissionais que nem sempre são dignos desse nome, resultando não raras vezes no fim não apenas do embrião ou feto, mas também daquela que renuncia a ser mãe. Legalizar, cabe acrescentar, sobretudo se associado a conscientizar, poderia até pr...

Crônicas fora de hora – I: “Transgênico ou transgênero?”

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Longe de mim querer brincar com dois temas tão importantes e delicados – e muito menos gerar polêmica logo na primeira daquelas que, espero, sejam uma série de crônicas que, mesmo vez ou outra tratando de assuntos espinhosos, tragam uma dose de leveza e saudável reflexão, entre outros efeitos mentais, intelectuais, emocionais ou sensoriais que possam ser positivos para quem vier a degustá-las (de preferência sem quaisquer consequências antidigestivas). Em parte o título deste texto provém de pequena e compreensível confusão de aluno de um dos cursos que realizei, no qual apresentei uma proposta de redação a respeito de organismos transgênicos (ou geneticamente modificados), tema em alta na época, quando, por outro lado, apenas se começava a falar mais abertamente sobre o conceito de transgênero, hoje em dia assunto muito mais presente na mídia e redes sociais. Mas o que quero mesmo é destacar o que há de transgênico e transgênero no que se chama crônica. Como assim? – é o que provavelm...